Assédio moral no trabalho cresce mais de 20% no Brasil e nova norma amplia atenção à saúde mental nas empresas

Assédio moral no trabalho cresce mais de 20% no Brasil e nova norma amplia atenção à saúde mental nas empresas

Atualização da NR-1 passa a exigir que empresas incluam riscos psicossociais, como pressão excessiva e conflitos no trabalho, no gerenciamento de riscos ocupacionais

O número de denúncias e processos por assédio moral no ambiente de trabalho voltou a crescer no Brasil. Em 2025, os registros na Justiça do Trabalho aumentaram mais de 20%, segundo levantamento divulgado pelo portal Proteção. O crescimento acende um alerta sobre os impactos das relações profissionais na saúde mental dos trabalhadores e reforça a importância de ambientes de trabalho mais equilibrados.

O tema ganha ainda mais destaque com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que trata do gerenciamento de riscos ocupacionais. A partir de 26 de maio, entra em vigor a Portaria nº 765, que amplia o olhar das empresas sobre os fatores que podem afetar a saúde dos colaboradores, incluindo os chamados riscos psicossociais, como assédio moral, pressão excessiva, conflitos entre equipes e sobrecarga de trabalho.

De acordo com o médico do trabalho Renan Soravassi, diretor da Trabt Medicina e Segurança do Trabalho, a mudança representa uma evolução natural da legislação. “Durante muitos anos, as normas focaram principalmente em riscos físicos, químicos e biológicos. Agora, também passa a ser considerada a forma como o trabalho é organizado e como as relações profissionais podem impactar a saúde das pessoas”, explica.

Segundo ele, o período de adiamento da norma ajudou empresas e profissionais a entender melhor como colocar essas mudanças em prática. A recomendação é que as organizações comecem identificando fatores que possam gerar desgaste emocional no ambiente de trabalho, como excesso de tarefas, falta de comunicação ou conflitos entre equipes, e incluam essa análise no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).

Apesar do aumento nos registros de assédio moral, o especialista destaca que parte desse crescimento também está ligada a uma maior conscientização dos trabalhadores. “Hoje existe mais informação e mais abertura para que situações inadequadas sejam relatadas. Isso é positivo porque permite que os problemas sejam identificados e tratados antes que causem impactos maiores”, afirma.

Entre as medidas recomendadas estão a capacitação de lideranças, a criação de canais seguros de comunicação dentro das empresas e o acompanhamento de indicadores como afastamentos por saúde e absenteísmo. A proposta da nova norma é incentivar uma gestão preventiva, capaz de identificar problemas no ambiente de trabalho antes que eles se tornem crises.

Nesse cenário, empresas da área de saúde e segurança do trabalho também vêm se preparando para auxiliar organizações na adaptação às novas exigências da norma. Segundo Moreno, a Trabt tem estruturado ações que envolvem diagnóstico dos fatores psicossociais no ambiente corporativo, com acompanhamento de indicadores como absenteísmo e integração dessas análises aos Programas de Gerenciamento de Riscos das empresas. A proposta é oferecer suporte técnico para que as organizações consigam identificar situações de desgaste no ambiente de trabalho e desenvolver estratégias preventivas voltadas à saúde e ao equilíbrio das equipes.

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