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Home office: sua empresa está preparada?

Por Fábio Bier
A cada dia as relações e os negócios são construídos por meio de ferramentas virtuais. Ainda que o contato físico, o famoso olho no olho, nunca deva perder sua importância, muitas organizações têm entendido que, a depender da atividade, condicionar o colaborador a ir até o escritório diariamente é enquadrá-lo em uma rotina que não contribui em nada com a criatividade, a inovação e o engajamento.
Pensando em grandes centros urbanos, onde além de tudo o próprio deslocamento é estressante, a jornada ainda pode ser menos produtiva, do ponto de vista de capacidade de criação, desenvolvimento de ideias e inovação, assim como foco e comprometimento com resultados.
Nesse cenário, adotar políticas de flexibilização da jornada e trabalho a distância – home office – fomenta o engajamento, aumenta o sentimento de pertencimento e orgulho do colaborador e promove a inovação.
À medida que as pessoas vão se habituando ao mundo digital e conhecem tantas novas tecnologias que permitem encontros e conexões bem-sucedidas, é natural que elas passem a não entender a necessidade de ir todos os dias ao escritório. Afinal, trânsito, correria, aquele colega que fala alto e tira o foco, chuva lá fora e alagamentos são motivos mais que suficientes para que o colaborador prefira trabalhar em casa, ainda que seja uma vez por semana.
E, quando isso acontece, a flexibilização da jornada e home office passam a ser fatores de atração e retenção de talentos, e, portanto, uma estratégia importante para a empresa.
Antes, porém, é importante que a organização se prepare para essa nova realidade. E tudo começa com a capacidade da liderança de fazer gestão por resultado – definir claramente papéis e responsabilidades, estabelecer objetivos e metas e proporcionar aos colaboradores informações claras a respeito da estratégia.
Muitos gestores ainda se sentem mais confortáveis em ter os colaboradores por perto, para que possam distribuir tarefas de última hora (incêndios acontecem!) e fiscalizar a produtividade do trabalho. Ainda que as vezes isso seja necessário, não deveria ser a função principal da liderança, e, portanto, é mais fácil definir como fazê-lo de maneira remota.
Para garantir a produtividade longe do escritório, antes de adotar flexibilizações na jornada, é importante responder a perguntas básicas:

  1. A liderança está preparada para delegar atividades, comunicar metas e acompanhar resultados de maneira consistente?
  2. A cultura da empresa favorece agendamentos de reunião com antecedência, planejamento semanal ou mesmo mensal?
  3. A empresa conta com recursos tecnológicos de comunicação remota (celular, aplicativo de mensagem instantânea, VPN, laptops etc.)?
    E, até que a cultura esteja estabelecida, a empresa pode contar com recursos para fiscalizar a produtividade, o que pode ser até mesmo a simples exigência de relatórios que formalizem a atividade de home office com descrição hora a hora.
    Mais do que criar um ambiente dinâmico e prezar pela qualidade de vida e bem-estar dos colaboradores, políticas de trabalho remoto podem também significar redução das “despesas de estar”, aquelas que incorrem da presença do funcionário no escritório.
    A mudança cultural promovida pela flexibilização da jornada de trabalho pode ser muito positiva. Mas é necessário um projeto cuidadoso, em que os líderes realmente estejam comprometidos com o sucesso. Como em todo projeto, uma fase piloto com métodos mais rigorosos de controle da jornada de trabalho – como o relatório hora a hora aqui mencionado – é fundamental.
    Política transparente, regras claras e treinamento sobre comportamento e resultados esperados no home office são condição básica antes de qualquer mudança. Pelo menos no início, também é recomendado manter o posto de trabalho disponível – se o colaborador não se adaptar, ele pode simplesmente vir ao escritório, e a empresa poderá medir a aderência. Também é muito importante, é claro, avaliar todos os impactos legais trabalhistas que as alterações na jornada de trabalho podem provocar.
    Além de ser um indicador importante para a marca empregadora da empresa, modernizar a jornada de trabalho com home office e entrada e saída com horários flexíveis, por exemplo, fomenta a capacidade de criação e aumenta o compromisso com a empresa. Quem não gostaria de ter pelo menos um dia da semana sem pegar trânsito? Ou mesmo um dia trabalhando com a vista preferida? O quanto os colaboradores se dedicariam a mais a uma organização que pensa na conveniência e no bem-estar do indivíduo? O quanto a organização pode esperar de novas ideias, inovação e criatividade dos colaboradores que têm a sua disposição a oportunidade de trabalhar em lugares mais inspiradores? Vale a reflexão.
    Fábio Bier é gerente de RH da Husqvarna para América Latina
    Sobre o Grupo Husqvarna
    O Grupo Husqvarna é o maior fabricante global de equipamentos para manejo de áreas verdes, incluindo motosserras, roçadeiras, cortadores de grama robóticos e tratores de jardim. O grupo também é líder no mercado europeu de produtos para irrigação doméstica e um dos líderes mundiais em equipamentos e ferramentas de corte e diamantadas para as indústrias de construção e pedra. Em 2017, as vendas líquidas do grupo totalizaram SEK 39 bilhões (cerca de R﹩ 16 bilhões), além de contar com uma média de 13.000 funcionários em 40 países.

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