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Especialistas debatem propriedades e aplicações do grafeno na FIESP

O Comitê da Cadeia Produtiva de Saúde e Biotecnologia (ComSaude) da FIESP promoveu na última terça-feira (3/9), um Fórum de Nanotecnologia. O evento aconteceu na sede da FIESP e do CIESP, na capital paulista e teve transmissão simultânea na Regional do CIESP em Sorocaba. O encontro contou com a presença do físico russo-britânico Konstantin Novoselov, ganhador do Prêmio Nobel de Física em 2010, por seus estudos sobre a condutividade do grafeno.

De acordo com Novoselov, o material é produzido por meio da extração de camadas superficiais da grafite (o mesmo usado em lápis), mineral abundante na Terra e uma das formas mais comuns do carbono. “O grafeno consiste de uma camada bidimensional de átomos de carbono organizados em estruturas hexagonais. Existem inúmeras aplicações para diversos mercados: esportivo, eletrônico, de energia, petróleo e gás, informática, construção civil, entre outros”, explicou o físico.

Segundo ele, uma das aplicações que deve ter em um futuro próximo é o uso do grafeno como uma membrana. “Trata-se de um material impermeável a qualquer átomo e é por isso que estamos tentando utilizá-lo como uma prevenção contra a corrosão”, observou o cientista, lembrando que a maior parte das aplicações é no sentido de substituir materiais e aplicações existentes, devido suas propriedades.

Também participou do evento o professor Antônio Castro Neto, um dos líderes internacionais na pesquisa do grafeno e diretor do Centro de Materiais Avançados 2D, da Universidade Nacional de Singapura, considerado como centro de referência mundial na pesquisa em grafeno e materiais bidimensionais (2D).

Para o professor, é importante distinguir se o material que está sendo comercializado é realmente o grafeno ou um pó contaminado com grafite, pois as propriedades físicas dos dois materiais são bem diferentes. “Existem inúmeras oportunidades e aplicações na indústria, mas a questão da qualidade é fundamental”, destacou Castro Neto.

Já o 2º vice-presidente do Ciesp e da Fiesp e diretor titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia (DECOMTEC) da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho, que também prestigiou o evento, ressaltou a importância de discutir o assunto com os mais renomados especialistas do mundo, visando reduzir a lacuna das pesquisas brasileiras nessa área. “A FIESP representa 133 segmentos de mercado e é importante conhecermos as aplicações comercias e desenvolvermos um trabalho em conjunto, envolvendo produtos que utilizem essa matéria prima no Brasil. Nosso país tem uma das maiores reservas de grafite natural do mundo e exporta cerca de 70 mil toneladas por ano”, observou Roriz Coelho. 

Segundo o diretor da startup MatLabs, Gedeão Klarosk, a palestra foi bastante esclarecedora em termos de aplicações viáveis no mercado. “Nossa empresa desenvolveu um aditivo para massas cimenticias utilizando o grafeno. Essa massa é usada para a construção de poços de petróleo a dois mil metros de profundidade, pois ao injetar o concreto ela seca instantaneamente e o Brasil é o único país que tem exploração de petróleo em águas profundas”, explicou.

Sobre o grafeno

 O termo grafeno foi usado pela primeira vez em 1987, mas só foi reconhecido oficialmente em 1994 pela União de Química Pura e Aplicada. Essa designação surgiu da junção do grafite com o sufixo -eno, fazendo referência à dupla ligação da substância. Desde a década de 50, Linus Pauling falava em suas aulas da existência de uma camada fina de carbono, constituída de anéis hexagonais. Em 2004, o grafeno foi isolado pelos físicos Andre Geim e Konstantin Novoselov na Universidade de Manchester e pode ser profundamente conhecido. Eles estavam estudando o grafite e por meio da técnica de esfoliação mecânica conseguiram isolar uma camada do material com o uso de uma fita adesiva, o que lhes rendeu o Prêmio Nobel de Física, em 2010.

Desde então, este nanomaterial tem trazido uma verdadeira revolução em diversas áreas do conhecimento humano. O material, composto de átomos de carbono, é muito resistente, leve, flexível, transparente e excelente condutor de calor e eletricidade. Sua dimensão é da ordem de nanômetros e uma folha de papel corresponde à sobreposição de 3 milhões de camadas de grafeno. Todas estas propriedades fazem com que o grafeno seja considerado o  “material do futuro”.

Sobre o CIESP

  O Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) é uma entidade civil sem fins lucrativos que reúne indústrias e empresas parceiras contribuintes que atendem o segmento industrial. Com cerca de 10 mil empresas associadas e uma sede central na avenida Paulista, na capital do Estado, a entidade possui 42 Diretorias Regionais, formando uma sólida estrutura a serviço dos interesses do setor.

A Regional Sorocaba foi fundada em 1950 por um grupo de industriais e desde então vem trabalhando pelo fortalecimento da indústria regional, tornando-se um agente de articulação política, contribuindo na atração de novos investimentos para a região, além de prestar serviços, fomentar a geração de negócios e desenvolver estudos e pesquisas.

A entidade oferece ainda assessoria nas áreas jurídico-consultiva e técnica, econômica, de comércio exterior, infraestrutura, tecnologia industrial, responsabilidade social, meio ambiente, salas de crédito, rodadas e eventos de negócios, além de diversos convênios e um posto de atendimento do BNDES, realizando também a emissão de Certificado de Origem e Certificação Digital.

A área de atuação da Regional Sorocaba envolve 48 municípios e está dividida em cinco sub-regionais: Apiaí, Itapetininga, Itapeva, Piedade e Tatuí.

Fonte:

Vergili Press Office Comunicação Integrada

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