Comportamento Estilo de Vida

Uma geração em risco: o futuro da Amazônia na visão dos mais jovens no Quinto

Rede social de votação divulga resultados da consciência ambiental de seus usuários sobre a floresta amazônica

A crise do desmatamento da Amazônia tomou enormes proporções nas últimas semanas, tornando o Brasil o centro mundial das atenções, infelizmente, por um mau motivo. Além da  enorme onda de desinformação sobre o tema, muitos conseguiram ver com os próprios olhos o cenário apocalíptico do meio ambiente, onde os céus pretos dominaram dezenas de cidades do Estado de São Paulo. Um futuro literalmente negro pode estar à espera dos jovens que herdarão o planeta, o Brasil. O aplicativo Quinto, uma rede social educativa de perguntas e respostas, que já chegou à dois milhões de votos em suas diversas perguntas, oferece um sólido banco de dados a respeito de como a juventude brasileira pensa sobre a Amazônia. Cada pergunta tem, no mínimo, 1000 votos.

Os resultados são preocupantes: ao todo, 64% dos usuários do app que acham que a Amazônia definitivamente irá acabar — índice que se mostra maior entre as mulheres, chegando a 75%, e atingindo 70% no Nordeste, sendo a região mais temerosa com a situação.

As recentes queimadas e todo o desmatamento na Amazônia levam a cenários pessimistas. Mesmo com cerca de 60% do território sob o domínio brasileiro, dados do aplicativo Quinto mostram uma grande preocupação com a possibilidade de perder a floresta para outros países. Ao todo, 74% dos usuários creem nesse risco. A maior floresta tropical do mundo corta os estados brasileiros do Pará, Amazonas, Roraima, Amapá, Rondônia, Acre e parte do Maranhão, Mato Grosso e Tocantins.

Embora nada de concreto seja debatido quanto ao assunto, teorias conspiratórias nunca deixaram de existir. Algumas delas sugerem o interesse dos Estados Unidos em ocupar o espaço,  e são alimentadas pela presença de ONGs internacionais no território da floresta. Porém, com as queimadas, o que se acentua é a preocupação global com a mata, considerada o pulmão do planeta. A preocupação dos usuários Quinto com a perda do território se faz presente em todas as faixas etárias, mas é maior para os jovens de 12 a 17 anos, onde o índice de crença nessa possibilidade chega a 82% dos votantes.

Tema diretamente relacionado às queimadas na Amazônia por diversos especialistas, o desmatamento é motivo de preocupação para a maioria dos usuários Quinto. Ao todo, 87% dele se disseram contrários ao desmatamento em prol do desenvolvimento econômico. E nesse sentido, curiosamente, os maiores índices de reprovação da prática estão em faixas distintas: 100% dos usuários de 50 a 59 anos — ainda que com uma amostragem menor –, 93% do público de 12 a 17 e 92% dos que têm entre 25 e 34 anos.

O possível fim dos recursos naturais também deixa um sinal de alerta ligado para o público que vota no aplicativo Quinto. São 83% os que acreditam que eles se esgotarão. Em 2019, aliás, a sobrecarga do planeta chegou em tempo recorde, segundo a organização internacional Global Footprint Network. A Terra entrou em déficit dos recursos naturais em 1970 e neste ano, pela primeira vez já no fim de julho havíamos consumido o equivalente a produção de água, minérios, animais e plantas, entre outros, de um ano inteiro. Ou seja, hoje, seria necessário 1,75 Planeta Terra para nos abastecer. 

Essa é uma preocupação que se mostra mais recorrente entre o público jovem do Quinto: apenas nas faixas de etárias abaixo dos 25 anos ela supera a casa de 80%. De 0 a 11 anos são 82% os que acreditam no fim dos recursos naturais, proporção que aumenta para 87% entre os jovens de 12 a 17 anos e fica em 84% para os que têm de 18 a 24 anos. A partir dos 25 anos, essa preocupação sofre uma tendência de queda, ainda que mantenha índices altos, entre 67%  e 77%. Já para a faixa etária a partir dos 60 anos, com uma amostragem menor, apenas 47% creem no pior dos cenários. Vale destacar que eles seriam, teoricamente, os menos afetados com essa possibilidade mais a longo prazo.

As queimadas que assolam a Amazônia têm como origem, principalmente, ações humanas que visam a abrir espaço na floresta. Os objetivos mais comuns são o desmatamento e a limpeza de área para pasto, a fim de criar rebanhos bovinos. O G7, grupo dos países mais ricos do planeta, decidiu desbloquear uma ajuda de emergência de pelo menos US$ 20 milhões (cerca de R$ 82,4 milhões) para a Amazônia, principalmente destinados ao envio de aviões Canadair de combate a incêndios. Além desta frota aérea, o G7 concordou com uma assistência de médio prazo para o reflorestamento, a ser apresentado na Assembleia Geral da ONU no final de setembro, para o qual o Brasil terá que concordar em trabalhar com ONGs e populações locais. Recentemente apenas a Alemanha cortou R$ 155 milhões que se destinavam ao Fundo Amazônia.

A floresta amazônica aos olhos do mundo

A Amazônia brasileira perdeu mais de uma Alemanha em área de floresta entre 2000 e 2017. São cerca de 400 mil km² a menos de área verde, de acordo com estudo de uma equipe de pesquisadores da Universidade de Oklahoma publicado na revista científica Nature Sustainability. Quando o governo, ou o INPE, divulga os dados sobre desmatamento na Amazônia, ele normalmente se refere ao território geográfico da Amazônia Legal, uma área que engloba nove estados brasileiros e que ocupa 5,2 milhões de km². São 87% dos usuários Quinto que não concordam com a exploração da Amazônia. De todos os votantes, 83% deles são jovens de 18 a 24 anos. Desse total, 57% dos votos foram só de mulheres.

No contexto atual de posicionamentos e atitudes, os jovens usuários do aplicativo Quinto mostram que se mexem muito nessas questões em especial. Quando questionados no aplicativo com a pergunta se fazem algo para melhorar o meio ambiente, 70% dos usuários responderam que sim, sendo que 53% são mulheres. Em especial, foram 62% de respostas positivas para a questão se plantaram uma árvore. A maior incidência do índice positivo está na região sul, com 70% de respostas sim.

A pressão da melhora econômica e a demanda por gêneros agropecuários — interna e externa — são constantes, e uma fórmula agroambiental que ajude o cenário econômico do Brasil é o que o governo de Jair Bolsonaro tenta encontrar. A pressão de ambientalistas e da comunidade internacional, contudo, é forte e difícil de ser ignorada. Não se justifica o discurso permissivo ao desmatamento, nem o obscurantismo que nega o consenso científico do aquecimento global. Tudo isso prejudica, e muito, a imagem do Brasil lá fora, e diminui o poder de negociação frente às outras nações. No equilíbrio desses pontos, está a solução desses impasses.

Saiba mais

O Quinto é uma rede social com milhares de usuários e que reúne perguntas em 11 diferentes categorias, totalizando mais de 2 milhões e meio de votos. Todas as perguntas utilizadas nesta matéria receberam mais de mil votos cada.

Para mais informações acesse oquinto.org

MATÉRIAS RELACIONADAS

Mais de 80% dos acidentes de moto provocam fraturas graves e sequelas

agita2019

Viagem ao exterior: 12 dicas para organizar e planejar a viagem dos sonhos

agita2019

Em Itu: Parque Maeda possui o maior jardim japonês do país

agita2019

Deixe uma resposta

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Vamos supor que você está bem com isso, mas você pode optar por sair, se desejar. Aceitar Leia mais

%d blogueiros gostam disto: