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Bastidores de filmes de ação: conheça curiosidades em gravações

Segundo especialista, a preparação de cena e o planejamento são

pontos importantíssimos em longas que envolvem lutas, explosões ou combate

  (Foto: Tropa de Elite 2 / Divulgação)

Quem assistiu ao longa nacional ‘Tropa de Elite 2’ não imagina como foi a preparação de cena dos principais atores que interpretavam os policiais do BOPE no filme. De acordo com expert em cinema Tristan Aronovich, que é ator, produtor, diretor e professor na LAFilm (Latin American Film Institute), uma grande curiosidade dessa famosa produção brasileira é que os atores foram submetidos à um ‘boot camp’ ou campo de treinamento legítimo e autêntico.

“Eles atravessaram um campo de treinamento equivalente ao que os soldados do BOPE costumam atravessar para que pudessem se familiarizar com os procedimentos reais. Dessa maneira, tivemos soldados reais que vieram de todos os estados brasileiros misturados aos atores, e todos tiveram que atravessar e concluir o treinamento com o mesmo rigor”, explica Aronovich, que é formado pelo California Institute of The Arts (CalArts), com mestrado em Cinema e TV pelo Savannah College of Art and Design (SCAD).

Tristan Aronovich, que também realiza trabalhos como preparador em cenas de ação em grandes produções, conta que foi incrível e uma ótima oportunidade trabalhar no filme Tropa de Elite 2. “O convite chegou através de Marcos Do Val, brasileiro que também é instrutor de técnicas de segurança na SWAT dos EUA. Como especialista em procedimentos táticos, Do Val e sua empresa de treinamento (o CATI) foram contratados para preparar os atores que integrariam os soldados do BOPE no filme. Ele então me convidou para integrar a equipe do CATI – afinal de contas a área de atuação deles nunca foi cinema, e eu seria o profissional da equipe responsável por fazer essa ponte”, relata Aronovich.

E para quem pensa que existe uma regra válida para todas as grandes produções – que envolvem um grande número de figurantes, com desastres ou cenas de guerra – está enganado. “Cada caso e projeto deve ser analisado e preparado individualmente. Não há uma regra fixa, pois, cada sequência impõe desafios únicos que podem ou não envolver interação com computação gráfica, CGI, fundo verde etc.”, garante Aronovich.

De acordo com o especialista, produções com grandes cenas de ação, como por exemplo, em batalhas estilo Game of Thrones e Vikings, podem envolver vários preparadores de cenas. “Seria quase impossível apenas um ou dois profissionais prepararem movimentos de batalha ou lutas com espadas com 100 figurantes. Casos assim requerem literalmente equipes inteiras de preparadores para otimizar o tempo de produção”, conta Aronovich.

   Tristan Aronovich  (Foto: divulgação)

Já quando as cenas envolvem explosões e efeitos especiais, existem preparações antes de cada take e vários procedimentos de segurança envolvidos. “Cenas com explosões ou tiros em corpo, por exemplo, existem distâncias mínimas que devem ser observadas e sem dúvida, o tempo de preparo entre um take e outro pode aumentar um pouco. Nesse caso, não é exatamente uma “dificuldade” maior, mas sim um tipo de planejamento específico”, exemplifica.

Outro ponto muito importante no trabalho de preparação de cena de ação é quando o ator tem que interagir com algo que será criado com a ajuda do chroma key. “É essencial que o ator tenha muitas técnicas verossímeis ligadas à imaginação, afinal, ele estará literalmente contracenando com o “nada”, e esse “nada” pode ser qualquer coisa: um dragão, um exército persa inimigo, etc. O ator deverá reagir com verdade àquilo que existe somente na sua imaginação e na cabeça do diretor”, diz Aronovich.

Para cenas de ação, Tristan Aronovich conta que o conhecimento em artes marciais pode ajudar muito, mas não é obrigatório. De acordo com ele, o público geralmente acha que ator é praticante daquela luta marcial que ele interpreta no filme, o que na grande maioria das vezes não é o caso.“No cinema, quando a gente faz cenas de combate ou de luta, a intenção não é lutar. A abordagem é muito mais parecida com uma coreografia. A gente tem que vender a ideia de que está rolando uma cena muito verossímil para o público. Temos que garantir que os atores não se machuquem e que eles possam repetir aqueles movimentos por vários takes, e o nome que se dá para essa técnica é screen combat (combate de tela)”, afirma.

Outra curiosidade, segundo o especialista, é que sempre que um filme tem cenas de ação muito densas, elas são deixadas para o final do período de gravação. De acordo com Aronovich, a razão é muito simples, pois por mais que o ator ensaie e coreografe, às vezes pode haver um pequeno deslize, um pequeno erro. “Em uma coreografia de luta, por exemplo, se há uma distância mal calculada e você acerta um soco no parceiro – que é um acidente terrível, mas às vezes acontece – o ator pode ficar com olho roxo. Imagina então se o filme está no início das gravações? Ele vai ter que lidar com aquele olho roxo a gravação inteira, então a gente sempre deixa isso bem para o final das gravações, porque caso dê algum tipo de imprevisto, algum acidente, isso não atrapalha o restante das gravações”, finaliza.

Sobre Tristan Aronovich

Tristan Aronovich é ator, músico e cineasta. Seus últimos projetos foram lançados por gigantes do cinema como SONY, FOX, Warner, Paramount dentre outros, além de uma nomeação como finalista ao Oscar® 2016 para representar o Brasil com o longa metragem “Alguém Qualquer”, filme que lhe rendeu elogios de crítica como “…digno de Charles Chaplin…”(O Estado de SP) e “…impecável, excepcional…” (Globo News). Ele também já ministrou aulas na Arizona State University, Califórnia Institute of The Arts, USP (Universidade de São Paulo), Faculdade Belas Artes e Faculdade Mauricio de Nassau. É diretor e professor do Latin American Film Institute (www.lafilm.com.br) e autor dos livro “Fazendo Cinema” e “A Bíblia do Cinema Independente”, ambos publicados pela Editora Criativo. É também colunista regular da Zoom Magazine há quase uma década. Atualmente reside entre o Brasil e Estados Unidos.

Fonte: Sanseverino

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